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PRIMEIRO POEMA EM BOSTON
(Sullivan Square Station)
Sullivan Square Station:
Os fantasmas de casaca
vêm das igrejas, do mar
e das artérias da terra.
Ao soturno e inusitado,
nos braços de voz antiga,
desceu na íngreme tarde
o coração estrangeiro.
Solos rubros peregrinos
colidem com este momento
no anverso dos deserdados
revistidos de plangências.
Enlaçando-se aos passos,
canção longa e dolorida
filha de alguns cativeiros
porém nobre e luminosa.
Os ouvidos na penumbra
impregnados de enigmas.
Colho a canção pequenina
à própria dor submissa.
Ave imersa em amplo aquário,
guelras perdidas no ar,
navego esses fragmentos
cônscios de minha presença.
Um anzol de cal na garganta
se opõe ao duro silêncio
que sofrido submerge
as palavras inefáveis.
Nascerão claros fonemas
na madurez de meu tempo:
direi ao fundo das almas
que às coisas todas me irmano.
Ainda bebo taciturno
portas e frontes cerradas,
viadutos e arvoredos
nascidos para este exílio.
Busco os liames e as pontes
de eras de cinza em que havia
mera sombra em comunhão
com as águas e os luminares.
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